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        em  destaque  matérias  que  come-  mento”. Themudo Barata reforça a   centro do debate”.
        çam a tornar-se rotineiras na pro-  relevância de se avançar com este   Hugo  Gago  (interno  do  1º  ano
        cura de aconselhamento por parte   treino para o aconselhamento nu-  na  USF  D.  Francisco  de  Almeida
        dos  utentes  dos  CSP,  nomeada-  tricional  dirigido  a  médicos  de  fa-  -  Abrantes)  também  optou  pelo
        mente as relacionadas com os con-  mília,  numa  altura  em  que  largas   Curso de Neurologia: “esta sempre
        selhos  de  nutrição  e  alimentação.   faixas da população estão expostas   foi  uma  área  de  que  gostei  muito,
        Revela-se hoje, portanto, indispen-  aos  mais  absurdos  conceitos  de   pelo que aproveitei a oportunidade
        sável que os médicos de família ga-  vida  saudável,  que  determinados   para complementar os meus conhe-
        nhem capacidades acrescidas nes-  interesses procuram vender a todo   cimentos. Para este médico o curso
        te contexto, para mais sabendo-se   o  custo:  “durante  o  curso  repeti   foi “muito pragmático e dirigido ao
        que no campo da alimentação dita   uma frase que uso muito. Disse aos   essencial. Para nós, na MGF, impor-
        «saudável»  reinam  muitos  e  peri-  formandos  que  não  conheço  ou-  ta-nos  saber  abordar  a  patologia,
        gosos mitos.                 tras  áreas  que  reportam  à  ciência   mas  também  estabelecer  o  con-
        José Luís Themudo Barata, coorde-  onde existam tantos mitos e ideias   tacto com a Neurologia e perceber
        nador científico do curso, recorda   pré-fabricadas como no sexo e na   até que ponto os nossos limites de
        que as pessoas, quando interessa-  nutrição. Assim, durante estes dias   intervenção estão esgotados”.
        das  em  melhorar  a  sua  alimenta-  tivemos a oportunidade de ir des-  Ricardo  Araújo  e  Valter  Moreira,
        ção, “muitas vezes procuram infor-  mistificando  algumas  coisas  nas   ambos  da  USF  Descobertas  (Lis-
        mação por conta própria, na Inter-  quais as pessoas ainda acreditam”.   boa),  preferiram  frequentar  o
        net e através de outros meios infor-                       Curso  de  Nutrição,  por  diversos
        mais. É importante que os médicos   Formandos não ficaram   motivos,  como  explica  Ricardo
        de família providenciem outro tipo   desiludidos           Araújo:  “por  um  lado,  registámos
        de  informação  e  aconselhamento,                         uma  óbvia  falta  de  formação  so-
        mais  rigoroso  e  científico,  porém   Andreia  Felizardo,  interna  do  1º   bre  estas  matérias  da  nutrição  na
        antes de o poderem fazer têm de   ano  de  MGF  na  USF  Eça  (Barrei-  faculdade.  Por  outro,  queremos
        estar  preparados.  Ora,  o  grande   ro), encontrou o que procurava no   dar  respostas  às  questões  que  os
        drama é que ao longo de décadas   Curso de  Atualização  em Neuro-  utentes nos colocam no dia-a-dia.
        as faculdades de Medicina em Por-  logia  que  frequentou:  “este  é  um   É comum vermo-nos em situações
        tugal não ventilaram os temas do   tema  que  abordamos  diariamen-  de dúvida sobre o que recomendar
        exercício e da nutrição. Diria mes-  te,  quer  nas  consultas  de  agudos,   ou não recomendar às pessoas que
        mo que se por um lado é mau a po-  quer  em  reavaliação  dos  doentes.   nos procuram, razão pela qual este
        pulação  procurar  aconselhamento   O exame neurológico e as patolo-  curso  acabou  por  constituir  uma
        de  nutrição  noutras  fontes,  por   gias neurológicas têm uma preva-  excelente forma de complementar
        outro  é  bom  para  os  médicos  de   lência  muito  grande  nos  CSP  e  é   as nossas competências”.
        família que não sejam muito procu-  importante  para  mim  aproveitar   Valter  Moreira  recorda  ainda  que
        rados para este fim, porque seriam   o período do internato para siste-  os  médicos  de  família  se  confron-
        colocados numa situação difícil!”.  matizar algumas ideias nesta área,   tam  no  presente  com  o  aumento
        Segundo o diretor do Serviço de   saber  diferenciar  aquilo  que  deve   da obesidade e da obesidade infantil
        Nutrição e Atividade Física do Cen-  ser referenciado daquilo que pode   na  população  portuguesa  e  acre-
        tro Hospitalar da Cova da Beira, é   ser  acompanhado  nos  CSP”.  Esta   dita  que  embora  tradicionalmente
        pois urgente “globalizar este géne-  médica interna atesta a disposição   os utentes não recorram muito ao
        ro  de  formações  para  os  médicos   por parte dos formadores para fa-  seu médico de família para resolver
        de família, algo que não contraria,   vorecer ao máximo a interativida-  questões nutricionais, tal panorama
        de modo algum, a necessidade de   de no curso: “no geral, penso que o   terá tendência a mudar: “julgo que
        mais  nutricionistas no  sistema  de   modelo foi muito bem conseguido,   a procura deste tipo de aconselha-
        saúde. O nutricionista é peça cha-  sobretudo  por  via  dos  casos  clíni-  mento  poderá  aumentar  nos  CSP,
        ve em muitas situações nas quais é   cos  introduzidos,  que  permitiram   nos próximos anos. De facto, as pes-
        importante realizar cálculos quan-  uma  discussão  mais  abrangente  e   soas deparam-se com cada vez mais
        titativos e outro tipo de avaliações   direta de algumas dúvidas. O curso   informação (sobretudo retirada da
        de  fundo.  Todavia,  para  dar  bons   foi denso – não poderia deixar de   Internet)  sobre  hábitos  alimenta-
        conselhos  de  base  científica,  sem   o ser, face ao volume de patologia   res, acreditam em quase tudo e isto
        incorrer em alguns mitos que ain-  que  enfrentamos  neste  campo  –   obriga-nos a estar melhor prepara-
        da subsistem, podemos e devemos   mas  fiquei  francamente  satisfeita,   dos para responder cientificamente
        contar  com  o  médico  de  família   sobretudo  por  nos  possibilitarem   às suas necessidades”.
        como primeira linha de aconselha-  trazer  os  «nossos»  casos  para  o            TR
























                                                                                                                                                           Junho 2017
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