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2 Tribuna do Presidente
Rui Nogueira
Presidente da APMGF
A dimensão da lista de utentes
e o contexto de exercício
clínico são determinantes para
garantir o acto médico com
dignidade
A afirmação do valor da Medicina Geral e Familiar exige clareza na dimensão da lista de utentes de cada médico de família e na solidez funcional da
unidade de saúde, de modo a permitir a correcta gestão da prática clínica e garantir a dignidade do acto médico
O Estas duas regiões, juntamente com a Re- UCSP USF A USF B
contexto de exercício e a dimen-
são da lista de utentes são deter-
gião Autónoma da Madeira, continuam a
minantes valorizadas pelos médi-
de família. A média nacional de utentes
cos de família. Estes determinantes assumem ser as mais afectadas pela falta de médicos
cada vez mais valor na opção dos colegas sem médico de família aumentou de 8,1%
que ingressam na carreira numa unidade de para 8,6% de março para maio de 2017. Ou
saúde do Serviço Nacional de Saúde (SNS) seja, onde havia mais dificuldades há agora
e o seu impacto na vida do médico deve ser um agravamento.
devidamente reconhecido. Listas de utentes As assimetrias regionais são preocupantes
sobredimensionadas e unidades de saúde dis- e geram iniquidades que obrigam a encon- 1,40
funcionais dificultam o trabalho, provocam trar soluções, cujo esforço não se deve pro- 1,38
1,35 1,35 1,36
exaustão, desqualificam o acto médico e au- longar no tempo. A leitura de pormenor – e
mentam a probabilidade de erro. ainda assim sem descer ao nível de ACeS, 1,31 1,38 1,30 1,30 1,31 1,30
As variações demográficas continuam a au- nem tão pouco de unidade de saúde – per- 1,29 1,29 1,30 1,28 1,29
mentar o número de utentes inscritos em mite ver algumas diferenças entre UCSP, 1,27
1,25
Lisboa e Vale do Tejo (LVT) e no Algarve. USF modelo A e USF modelo B.
17,8
16,9
16,4
15,8 Alentejo Algarve Centro LVT Norte Nacional
maio
março
As UCSP e USF modelo A de LVT são as que expressão com 1,36 UP por utente inscrito
têm listas médias de utentes maiores e com em média nacional.
mais Unidades Ponderadas (UP). E nas USF O trabalho dedicado aos cuidados de saúde
modelo B é no Algarve que se encontram lis- à pessoa e à família, assim como as condi-
tas maiores. Estas regiões são as que têm mais ções disponíveis para a prestação de cuida-
população sem médico de família atribuído e dos médicos em unidades de saúde de pro-
8,6 onde os colegas naturalmente assumem um ximidade são muito variáveis no nosso país.
8,1 esforço maior no sobredimensionamento de As assimetrias geográficas determinam
listas de utentes. E ainda assim, cada ACeS diferentes condições de acesso a cuidados
tem cerca de um terço ou mais de unidades de saúde e ainda maiores desigualdades
de saúde com situações muito difíceis. no exercício do médico de família. Mas o
A valorização do contexto e da dimensão tipo de unidade de saúde tem também um
da lista podem e devem ser padronizados significado que tem que ser considerado,
de forma a caracterizar a complexidade do de modo a não provocar ainda maior ini-
2,9 trabalho do médico de família. A qualida- quidade. A dimensão da lista de utentes
2,6
2,3 2,4 2,1 de da prática do médico de família depen- de cada médico, o contexto social de exer-
1,8
de em boa parte da dimensão ponderada cício profissional e o tipo de unidade de
da sua lista de utentes e do contexto do saúde têm uma relação indissociável que
exercício clínico. Olhando apenas para as deverá ser objecto de estudo.
Alentejo Algarve Centro LVT Norte Nacional UP as USF modelo B têm menor peso nesta Nota: Este texto não é escrito ao abrigo das
ponderação, enquanto as UCSP têm maior regras do acordo ortográfico
Junho 2017

